Editorial

Mais uma medida de ajuda contra um ciclo de agressividade

Eis uma iniciativa que pode ajudar a mulher a romper com um ciclo de agressão em seu lar.

A violência contra a mulher é algo que, infelizmente, faz parte do nosso cotidiano e não é de hoje. Atinge muitos lares brasileiros e a família como um todo é afetada, deixando traumas na vítima e também naqueles que estão no seu entorno, principalmente os filhos. Felizmente, já estamos há muito tempo superando aquele ditado popular de que em briga de marido e mulher ninguém mete a colher. Já está bem assentada na coletividade a ideia de que a proteção devida a ela é uma obrigação da sociedade e das autoridades constituídas. Nada mais que seja criminoso precisa ficar em quatro paredes.

Muitas medidas, ao longo do tempo, vêm sendo tomadas no sentido de garantir que as mulheres possam ter mais assistência em suas demandas tão urgentes. Exemplos disso são a criação de delegacias especializadas, de varas judiciais específicas, de conselhos temáticos, entre outros pontos, sem esquecer da Lei Maria da Penha, que veio trazer normativas para que o poder público possa agir célere e efetivamente contra os agressores. A dominação cotidiana, em geral baseada na força física, exercida por eles, coloca a mulher numa situação de fragilidade que precisa ser enfrentada pelos agentes da lei, visando garantir sua integridade física e psicológica. As necessidades são as mais variadas e é extremamente auspicioso quando as autoridades reconhecem isso e tomam medidas eficazes para ajudar no rompimento de um ciclo diário de dominação e de subjugação. Nesse sentido, vem em boa hora a notícia de que a prefeitura de Porto Alegre implementou o Projeto “Tri Conta Comigo”. Trata-se de uma iniciativa que permite que a mulher oprimida possa obter um cartão do transporte coletivo da Capital para se deslocar em busca de ajuda, uma vez que nem sempre ela conta com recursos para tal. A proposição conta com o apoio da Polícia Civil do RS por meio da 1ª Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (1ª Deam).

Toda injustiça precisa ser combatida e, quando possível, prevenida. No caso em tela, nessa união de órgãos estatais em prol de uma causa sensível e de necessário acompanhamento, inclusive com intervenção em situações extremas, existe um impulso de acolhimento e de empatia a ser traduzido em medidas concretas que podem fazer toda a diferença para quem luta, não raro, apenas para sobreviver.