Editorial

Medidas preventivas contra golpes

Diante desse impasse, a Anatel está anunciando que vai tomar medidas para restringir esse assédio irregular. Não se fala aqui de empresas que respeitam o desejo do consumidor, mas de quem pratica assédio ilegal e golpes.

A questão dos golpes virtuais em que os criminosos se valem de contatos telefônicos vem se constituindo numa questão coletiva da maior relevância, uma vez que afetam não somente o patrimônio das pessoas, mas também sua tranquilidade no dia a dia mesmo quando o intento delituoso não é atingido. A par disso, mesmo ligações livres desse teor ilegal, ainda que marcadas como indesejadas pelos usuários, são recebidas. Ou seja, ainda não foi efetivada uma forma eficiente de lidar com esse problema cada vez mais grave no cotidiano.

Diante desse impasse, a Anatel está anunciando que vai tomar medidas para restringir esse assédio irregular. Não se fala aqui de empresas que respeitam o desejo do consumidor, mas de quem que, mesmo ouvindo que não há interesse no produto ou serviço, continua a insistir para tentar vencê-lo no cansaço. E tudo isso, claro, sem esquecer a facilidade com que os meliantes conseguem vencer eventuais bloqueios para contatar suas vítimas com números gerados por novas tecnologias, demonstrando um domínio técnico que a agência reguladora precisa, com celeridade, anular. A impressão que fica é que os golpistas estão sempre na frente das autoridades, pois, quando elas implementaram um sistema de bloquear um determinado número, eles surgiram com incontáveis outros que são gerados aleatoriamente.

O que se espera é que, desta vez, a Anatel cumpra com eficiência suas atribuições para que os brasileiros não fiquem expostos a essas investidas que estão ficando cada vez mais sofisticadas, a ponto de simular uma central de atendimento de um banco ou uma operadora de cartão de crédito. Os contribuintes têm a legítima expectativa de que o poder público consiga protegê-los dos ardis tecnológicos. Outrossim, urge que haja campanhas de esclarecimentos, bem como se melhore o contato do correntista com sua instituição bancária, pois os canais disponibilizados são burocráticos e pouco céleres numa emergência, dificultando medidas preventivas e facilitando a ação dos delinquentes.