Editorial

Metade do caminho. E agora?

A taxa Selic manteve o galope, e o objetivo seria controlar a inflação. Mesmo assim, entretanto, o preço dos alimentos assusta nas estatísticas e na gôndola do supermercado.

Recentemente o presidente Lula dizia que o governo não entregou o que prometeu. Encerrada a primeira metade, há desafios fiscais e de política monetária nestes próximos dois anos. O juro segue em escalada e a taxa Selic bateu em 13,25%, igual patamar de um ano e meio atrás. O próprio governo criticava essa taxa tão alta, mas, como explicam diretores do Banco Central, aumentar juro segura consumo e elevação de preços em tempos de inflação acima do limite, situação que vivemos hoje com o IPCA em 4,83% contra um teto máximo de 4,50%. Quanto mais consumimos, mais os itens encarecem por causa da procura. Assim, aumentar o juro faz com que qualquer operação de crédito fique mais salgada, o que nos leva a segurar planos de comprar algum bem. Teoricamente essa estratégia traria uma acomodação de preços. Entretanto, indústria e comércio são setores que precisam do consumidor gastando e também do crédito para poder investir em seus produtos e serviços. A saída, dizem estes segmentos, é reorganizar as contas públicas. Mas e quando a questão é muito mais básica? Trabalhadores precisando comprar comida, por exemplo?

A taxa de juros manteve o galope e mesmo assim o valor dos alimentos assusta nas estatísticas e na gôndola do supermercado. Tanto que o tema levou a uma reunião entre o presidente Lula e ministros. A saída parece ser o campo fiscal. A reforma tributária representou um primeiro passo para reduzir impostos sobre alimentos, mas há um período de transição para isso. O caminho, agora, é trabalhar o quanto antes pela isenção do Imposto de Renda da Pessoa Física para quem ganha até R$ 5 mil mensais, outra promessa do governo que pode significar mesa mais farta para quem tem menos renda. As perspectivas podem ser boas para os anos finais do governo, já que o desemprego está em baixa histórica de 6,6%. Resolvidas questões como preços acessíveis na alimentação e uma tabela de imposto de renda que não entregue o trabalhador ao Leão, há perspectivas de melhoria da qualidade de vida.