Editorial

Mobilização necessária

A atitude dos industriais gaúchos não está inserida em um contexto de otimismo alienado ou desconexão com os diversos problemas. É mais o resultado concreto de esforço e de trabalho que não podem recuar.

É salutar a mobilização do empresariado gaúcho, especialmente o ligado à indústria, em torno da busca de novos investimentos, do crescimento e de reivindicações legítimas que assegurem a continuidade do papel de destaque do setor na economia gaúcha. Duramente afetada, como tantos outros atores econômicos do Rio Grande do Sul, pelas adversidades climáticas que têm impactado as atividades produtivas, além das pesadas expectativas negativas em face das anunciadas tarifas a serem implementadas para acesso ao mercado norte-americano, a indústria dá mostras de não esmorecer no enfrentamento das dificuldades. Sob a liderança do presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), Cláudio Bier, e de outros próceres do empresariado, a indústria têm sido pródiga em apresentar propostas e anunciar investimentos, como o ocorrido nos primeiros dias desta semana. No primeiro caso, em face da necessidade de mitigar os previstos efeitos nefastos do chamado tarifaço dos EUA, o setor apresentou planos concretos que podem municiar o governo federal em sua prometida intenção negociadora, de forma que empregos sejam mantidos e a vitalidade exemplar do empresariado gaúcho possa estimular o crescimento e afastar a perplexidade paralisante dos confrontos inúteis.

E mais: na terça-feira, a Fiergs corajosamente reuniu expressivas lideranças do empreendedorismo, como o presidente da Cotrijal, Nei Mânica, e o diretor-geral da CMPC, Antônio Lacerda, para anunciar grandes investimentos em um momento em que muitos políticos e agentes governamentais ou econômicos manifestam desesperança e pessimismo absoluto.

É certo que a atitude dos industriais gaúchos não está inserida em um contexto de otimismo alienado ou desconexão com os diversos problemas enfrentados pelas comunidades. É mais o resultado concreto de esforço e de trabalho que não podem recuar à frente dos obstáculos preocupantes que se avizinham. É, pois, hora de saudar e apoiar o trabalho e a produção.