A capital dos gaúchos, assim como outras cidades do Interior, tem muitos problemas socioeconômicos para enfrentar, mas eles, infelizmente, e até por decorrência dessas adversidades referidas, são apenas uma parte das questões a serem equacionadas. Entre esse rol de pendências, constam a depredação dos equipamentos e do patrimônio público, com uma destruição constante que requer medidas por parte das autoridades para preservar um legado relevante. Também as pichações se tornaram recorrentes, muito incentivadas por um sentimento de impunidade que precisa ser combatido.
Em Porto Alegre, bustos e estátuas têm sido furtados ou alvo de vandalismo. Isso ocorre com certa frequência nas vias públicas e nas praças da Redenção e da Alfândega, bem como de outros lugares da área urbana. Note-se que este fenômeno não é exclusivo da maior cidade do Rio Grande do Sul, sendo verificado em outros municípios menores, inclusive da região metropolitana, mas é nela que a visualização destes malfeitos se dá em maior número. Exemplos desses ilícitos são o furto de vários itens, como os bustos de Caldas Júnior e de José Artigas, prócer do Uruguai, ambos na Alfândega, onde também, repetidas vezes, foi furtada a carta-testamento de Getúlio Vargas. Muitos pesquisadores e intelectuais reclamam a recolocação do busto de Apolinário Porto Alegre, fundador do Partenon Literário, movimento que forneceu a maioridade literária do RS no século XIX. Depois de ser retirado da praça Argentina, no Centro, nunca mais foi visto. O mesmo tem ocorrido com a famosa homenagem aos poetas Mario Quintana e Carlos Drummond de Andrade, seguidamente na mira dos vândalos.
Não é despiciendo lembrar que a preservação do nosso acervo histórico espalhado pelas nossas vias públicas é imprescindível para manter nossa identidade como povo e para conhecer e valorizar o legado dos nossos ancestrais. Diante da gravidade das perdas infligidas à nossa memória coletiva, é urgente que as autoridades a quem cabem as atribuições de fiscalizar e manter essa herança imensurável atuem para prevenir e reprimir tais delitos. Prefeitura e governo do Estado têm a inarredável tarefa de salvaguardar nossos bens coletivos duplamente expostos.