Como se sabe, a construção civil é um segmento que serve como um bom termômetro da economia, tanto por gerar emprego e renda como por fomentar muitos segmentos do comércio e da indústria, que são seus fornecedores, além de ser a porta de entrada para muitos trabalhadores que buscam o primeiro emprego ou que não preencham certos requisitos que determinadas vagas do mercado laboral exijam. O setor, segundo a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), tem uma projeção de crescimento de 3,5% no ano em curso, contribuindo para elevar o Produto Interno Bruto (PIB) do país.
Uma das muitas realizações desse segmento diz respeito à construção de moradias, um direito social fundamental, reconhecido na Constituição Federal de 1988, e que está previsto no artigo 6°. Programas habitacionais da União, dos estados e dos municípios vêm sendo efetivados para dar vazão a uma demanda que indica um déficit de cerca de seis milhões de lares para a população, que, não raro, acaba sendo empurrada para lugares insalubres ou com riscos de desmoronamento. Essa lacuna também é constatada no Estado após a tragédia climática que expulsou milhares de gaúchos de suas casas. Infelizmente, não obstante previsões das autoridades, o fato é que a promessa de resolver essa equação, com a construção de novos imóveis em áreas inseguras, ainda não foi cumprida.
Diante desse quadro, é importante a declaração do presidente Lula, nesta terça-feira, durante a abertura do 99° Encontro Nacional da Indústria de Construção, na sede da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília, no sentido de que não faltarão recursos para construir mais residências para os mais pobres. A novidade é que agora ele também incluiu a classe média nesse projeto, o que significa que deverá haver mais investimentos para tanto. Morar com um mínimo de qualidade não é um privilégio, mas um pressuposto de dignidade e de exercício de cidadania.