Editorial

Moradia, um direito ainda negligenciado

Equacionar o déficit de moradias no país não é tarefa fácil. Em 2025, esse montante está estimado numa faixa que fica entre 5,9 milhões e 6,2 milhões, conforme dados da Fundação João Pinheiro e do Ministério das Cidades.

Não é de hoje que se costuma dizer que um dos grandes sonhos das famílias brasileiras é ter sua casa própria, inclusive livrando-se do aluguel e contando com valores que poderiam ser usados para outros fins, aumentando a qualidade de vida daqueles que não têm um imóvel próprio para habitar. Contar com uma moradia é algo que contribui para a dignidade humana e para a cidadania daqueles que conseguem ter acesso a esse bem imprescindível.

Equacionar esse déficit no país não é tarefa fácil. No ano em curso, esse montante está estimado numa faixa que fica entre 5,9 milhões e 6,2 milhões, conforme dados da Fundação João Pinheiro e do Ministério das Cidades. As áreas urbanas concentram a maior parte das demandas, que é agravada por fatores como locações com valores excessivos, moradas precárias e coabitação involuntária por força das circunstâncias. Para reverter esse quadro, algumas políticas públicas estão sendo implementadas, como o programa federal Minha Casa, Minha Vida (MCMV), relançado em 2023 e ampliado desde então. Em 2025, o programa prevê a entrega de até 2,5 milhões de unidades habitacionais até 2026, com prioridade para as famílias de baixa renda. Outras fontes de recursos são o FGTS, o Orçamento Geral da União (OGU) e o Fundo Social do Pré-Sal e LCI (Letra de Crédito Imobiliário). A par disso, o ProMorar Brasil, em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), está aportando R$ 330 milhões em melhorias habitacionais, como reformas e regularização fundiária. É essencial aumentar o total de residências no país, mas é igualmente fundamental identificar as áreas de risco, analisando o tipo de solo, para que as edificações não venham a enfrentar problemas estruturais no futuro.

O Brasil é uma nação que ainda está em débito com seu povo em relação à justiça social. Prover-lhes um lar digno, com um financiamento que caiba no seu bolso, pode ser o começo da virada de uma relação que precisa apontar para melhorias em diversos segmentos do cotidiano.