Toda vida é preciosa e cada perda deve ser lamentada. Em muitos casos, a prevenção não é possível, como nas situações de fatalidades ou de doenças ainda incuráveis. Todavia, em havendo meios de se evitarem esses óbitos, é certo que todos os esforços devem ser envidados para que se atinja este objetivo. E deve ser levado em conta que, no mais das vezes, a diligência é o gesto necessário e suficiente, uma vez que o poder público, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), proporciona todo o atendimento primário capaz de reverter quadros clínicos adversos. E isso tudo de forma não onerosa, algo importante para aqueles pacientes de condição financeira menos favorecida.
Um destes exemplos em que a enfermidade é contornável é a hipertensão materna. Contudo, ela continua fazendo vítimas, não obstante a rede pública ofertar as ferramentas e os fármacos para que esse mal seja devidamente neutralizado. De acordo com um levantamento realizado por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), considerando-se o período de 2012 a 2023, quase 21 mil mulheres morreram durante a gravidez, parto ou puerpério. Em aproximadamente 18% dos casos, o que representa 3.721 mortes, as causas foram em função de complicações da hipertensão. A taxa de mortes maternas geral do país foi de 61,8 a cada 100 mil nascimentos, menor que o limite de 70 preconizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), mas superior aos índices de países desenvolvidos, que costumam variar de duas a cinco mortes para cada 100 mil nascimentos. Essa elevação tem a ver com a hipertensão materna, que tensiona para cima os números, que poderiam ser menores se houvesse a assistência efetiva para essas gestantes.
Uma das medidas urgentes para reverter esse quadro é propiciar a essas brasileiras um acesso menos desigual ao SUS. Muitas delas estão em regiões com menos incidência das políticas públicas compatíveis quando estão mais fragilizadas. É fundamental ampliar a rede de apoio para que elas possam ser atendidas em tempo hábil, realizando seu sonho da maternidade com segurança, dignidade e respeito à sua cidadania.