Editorial

Nova ocorrência de vandalismo contra o patrimônio público

A memória coletiva precisa ser protegida contra a ação deletéria dos vândalos.

Aconteceu de novo e não se pode dizer que foi algo inesperado: mais um item histórico foi alvo de vandalismo em Porto Alegre. Trata-se do monumento ao diplomata e jornalista Barão do Rio Branco, obra do artista alemão Alfredo Adloff, inaugurado em 7 de setembro de 1916, que está colocado na Praça da Alfândega, no Centro Histórico da Capital. A figura da República, colocada logo abaixo do pedestal, teve a cabeça arrancada. Isso vem na esteira de outras depredações, como do busto de Caldas Júnior, na mesma praça, ou o furto da estátua de José Artigas, igualmente da área central.

Essa investida criminosa contra a memória coletiva precisa encontrar um termo. As autoridades estaduais e municipais devem encontrar meios de prevenir essas ações de delinquentes que atentam contra bens públicos, de difícil reparação ou mesmo de custos elevados. A cada vez que ocorre esse tipo de delito, perdemos parte da nossa história, bem como temos perdas para o lazer da coletividade e também no turismo, que fica sem diversos atrativos importantes da nossa iconografia. Infelizmente, são raras as notícias de que os autores dessas condutas reprováveis tenham sido efetivamente punidos, bem como os eventuais receptadores do produto desse furto. Todavia, não podemos nos esquecer de que esse tipo de ilegalidade, ainda que não seja praticada com violência, como seria o roubo, abre as portas para crimes mais graves, inclusive por fortalecer uma certa sensação de impunidade que estimula os infratores a seguir com suas práticas escusas, cada vez em maior escala.

Com o atual estágio das novas tecnologias, como câmeras digitais, não se mostra plausível que as forças de segurança não consigam agir com efetividade para impedir ou investigar tais ocorrências. Além de constituir um acervo pertencente a toda a população, a restauração onera o erário e, muitas vezes, não é possível restaurar completamente. Há perdas e perdas. Pouco se pôde fazer contra as danificações das inundações em museus e assemelhados. No caso em tela, é sim possível prevenir e garantir que o patrimônio comum seja preservado da ação dos vândalos e ladrões.