Neste 20 de setembro, em todos os rincões do Rio Grande do Sul e alhures onde houver gaúchos tomados de amor por sua terra haverá cantorias, churrascos, acampamentos, desfiles, boa prosa, saudações e demonstrações de afeto por este chão e por sua gente, que, desde tempos imemoriais, vem construindo a pujança de um estado imprescindível na federação brasileira. É, sem dúvida, uma unidade federativa que nunca faltou ao Brasil, como nos recontros de fronteiras que ameaçavam sua soberania, a exemplo da Guerra do Paraguai.
Neste dia, é tempo de saudar a têmpera e a ousadia daqueles que, certa feita, tiveram a coragem de se insurgir contra um estado de coisas que significava o aviltamento das províncias, exigindo melhores condições para continuar a coexistir na constelação nacional. Foi assim que se levantaram os bravos de 35, demandando um tratamento digno para seus habitantes. Por força da intransigência do Império, em 11 de setembro de 1836, o general Antônio de Souza Netto proclamou a República Rio-Grandense, na Batalha do Seival, no Campo dos Menezes. Esse processo teve início na data histórica de 20 de setembro, quando rebeldes vindos de Guaíba, sob orientação do general Bento Gonçalves da Silva, tomaram a Capital, pondo em fuga o governador provincial. Essa ocupação deu início a uma guerra que duraria dez anos, a mais longa revolta contra o governo imperial havida no período pré-republicano, indicando a união das forças representativas da sociedade gaúcha naquele embate. Em 1845, houve um acordo honroso que permitiu que a paz, assinada em Ponche Verde, voltasse a reinar por estas plagas, encerrando um ciclo de divergências e de conflitos que hoje é parte da nossa história e que serve para ilustrar a força intrínseca do povo gaúcho.
Em meio à reconstrução do RS após a maior tragédia climática da sua história, os gaúchos demonstram o mesmo denodo de eras passadas para restabelecer sua pujança. Na esteira do nosso hino, contando com o apoio do restante da federação, estamos realizando a façanha da superação.