Editorial

O ano mais quente de toda a história

De um modo geral, os prognósticos ruins, incluindo os mais aterradores, se confirmaram. Em relação ao aquecimento global, cientistas da UE estão prevendo que 2024 será o ano mais quente na série histórica desde sua aferição.

A aventura da humanidade no planeta cada vez mais corre maiores riscos por conta da degradação ambiental que potencializa as tragédias climáticas. As ocorrências frequentes de desmatamentos, poluição dos cursos de água, emissão de gases poluentes, assoreamento dos rios, erosão de solos, enchentes e estiagens, entre outros fenômenos danosos prejudiciais à natureza, estão no nosso cotidiano. O que antes se considerava como sendo uma probabilidade para o futuro, ainda que iminente, agora não tem mais esse caráter de eventualidade, passando a ser uma realidade que, todos os dias, se manifesta no mundo, causando fome, migrações, doenças e males variados.

De um modo geral, os prognósticos ruins, incluindo os mais aterradores, se confirmaram. Em relação ao aquecimento global, cientistas da União Europeia estão prevendo que 2024 será o ano mais quente na série histórica desde sua aferição. A expectativa é que as altas temperaturas persistirão até os primeiros meses de 2025. Essa avaliação está em um documento emitido pelo Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus (C3S), da UE, e foi tornado público duas semanas depois que as negociações climáticas da Organização das Nações Unidas (ONU) firmaram um acordo de 300 bilhões de dólares para combater as mudanças climáticas. As nações mais pobres consideram o montante muito aquém do necessário para dar conta dos custos crescentes ocasionados pelos desastres relacionados ao clima. O C3S avaliou que os dados de janeiro a novembro colocaram 2024 no topo dos meses quentes já registrados. Também adiantaram que este será o primeiro em que as temperaturas médias globais excederão 1,5 grau Celsius acima do período pré-industrial entre 1850 e 1900.

Estes estudos devem servir de subsídio para que os orçamentos públicos e privados dos países mais ricos do planeta, em consonância com aqueles em desenvolvimento, contemplem as medidas urgentes e inadiáveis para preservar os ecossistemas. Tais ações necessárias implicam, em última análise, preservar a própria vida humana.