Editorial

O caminho passa pela prevenção

Quanto às cheias, é importante que o poder público e a sociedade com suas entidades representativas estejam comprometidos com medidas de curto, médio e longo prazos no tocante às ações preventivas.

Uma das questões mais recorrentes no imaginário dos gaúchos ao completar um ano da maior enchente do Estado neste mês de maio diz respeito ao que pode ser feito para que essa catástrofe não volte a se repetir e que mesmo danos eventuais das cheias possam ser evitados e mitigados. Para tanto, é importante que o poder público e a sociedade com suas entidades representativas estejam comprometidos com medidas de curto, médio e longo prazos a fim de que as ações preventivas possam ser efetivas e surtir o resultado esperado.

Entre as iniciativas mais imediatas, podemos situar o aperfeiçoamento dos sistemas de previsão meteorológica e alerta para evacuação rápida, a limpeza e manutenção de canais e dos sistemas de drenagem e o amparo para as comunidades afetadas, incluindo migrações temporárias e fornecimento de suprimentos básicos. Em sequência, num lapso temporal mais adiante, é preciso focar na construção e reforço de diques, casas de bombas e sistemas de drenagem urbana, na implantação de regras mais rígidas para a ocupação de áreas de risco e na orientação das comunidades em relação a riscos e a medidas preventivas. Já entre as realizações mais estratégicas e que exigem mais tempo na sua concretização estão obras de macrodrenagem e de controle de inundações, preservação de matas ciliares e edificação de áreas de absorção das precipitações pluviais, bem como melhorias na legislação ambiental e urbana para erigir maior proteção em relação a eventos climáticos extremos.

Evidentemente, para colocar em prática todos esses procedimentos de alcances variados, há que se ter verbas em um orçamento que precisa ser, senão vultoso, ao menos compatível com as necessidades dos municípios e das regiões afetadas. Para tanto, há que se ter os financiamentos devidos. O Fundo de Apoio à Infraestrutura para Recuperação e Adaptação a Eventos Climáticos Extremos (Firece) dispõe de R$ 6,5 bilhões para aplicação em programas de contenção de enchentes, que devem ter a necessária formatação técnica para acessar esses valores na celeridade que o tema requer.