A meta não deixa de ser ambiciosa, mas deveria estar no horizonte dos governantes de todas as nações civilizadas: erradicar a fome no mundo. Proposta neste sentido está no estudo “América Latina e o Caribe 30 anos após a Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Social: rumo a um pacto mundial pelo desenvolvimento social inclusivo”, apresentado, nesta terça-feira, na VI Conferência Regional sobre Desenvolvimento Social da América Latina e do Caribe, promovida pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), em conjunto com o governo do Brasil e com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). O documento detalha que, para combater a disseminação da fome na região, seria necessário que os países que a integram venham a investir entre 1,5% e 2,5% do PIB ou entre 5% e 10% do gasto público anual em políticas de proteção social para dar fim à pobreza.
Para o diretor da Divisão de Desenvolvimento Social da Cepal, Alberto Arenas de Mesa, se não for mudada a condução das políticas públicas de enfrentamento com esse panorama adverso, o grupo levará mais de 30 anos para acabar com a insegurança alimentar. Ele afirma que, assim como existem regras para aportes em educação e saúde ou com a infância, é necessário que haja mecanismos para garantir investimentos nessa questão socioeconômica de alta relevância. Não é despiciendo aduzir que o bem-estar coletivo, com atendimento de demandas básicas, estabiliza as democracias desses lugares e garante a paz social. O Brasil, nesse fórum, apresentou seu contributo, expondo como implementou, nos últimos anos, as medidas que lhe permitiram retirar mais de 30 milhões de brasileiros da condição de famélicos. Essa experiência se deu a partir de uma redistribuição de renda com foco nas atribuições mais inclusivas dos entes federados.
Embora o desafio de atingir o objetivo de um mundo sem fome pareça utópico, ele é bem factível, mas é imprescindível um conjunto de iniciativas. Entre elas, estão investimentos em redes sociais de proteção, o fortalecimento da agricultura familiar, a redução do desperdício de alimentos para que haja uma melhor distribuição e o combate ao desequilíbrio climático. A colaboração entre governos e entidades voltadas ao assunto constitui uma poderosa aliança para tornar o planeta mais estável e menos conflitado em todos os sentidos.