A retirada de Nicolás Maduro do poder na Venezuela, após uma operação determinada pelo presidente norte-americano Donald Trump, enseja uma duplicidade na análise e muitas indagações sobre o futuro deste país, nosso vizinho. Por um lado, parecia realmente difícil que uma reação ao ditador partisse da própria população e das estruturas vigentes, uma vez que o governo já havia realizado eleições suspeitas, não reconhecidas pelo Brasil e por observadores internacionais, e tinha feito intervenções indevidas nos demais poderes, como o Judiciário e o Legislativo. Por outro lado, a intervenção direta de uma outra nação, com motivações que vão desde a restauração da democracia até a apropriação de riquezas, gera uma comoção internacional e se constitui num inédito precedente na forma de tratar divergências externas, ainda que pairem sobre o governo venezuelano graves acusações sobre violação de direitos humanos e tráfico de drogas.
Dessa forma, as expectativas agora recaem sobre os rumos que tomará a Venezuela nesse contexto de crise institucional, no qual o presidente dos EUA afirmou que seu país tutelará a nação sul-americana até que um novo governo democrático seja instaurado. O futuro se mostra duvidoso diante de um vazio organizacional que se mostra desafiador para as regras que delimitam o direito internacional e a diplomacia, demandando muitas negociações e a participação imprescindível da Organização das Nações Unidas (ONU) nesse processo. A normalidade democrática deve ser buscada com base em tratativas claras que coloquem em primeiro lugar o interesse dos venezuelanos, que precisam voltar a ter um regime que seja oriundo de eleições limpas e que expressem a vontade popular. Outrossim, é imperioso que a paz social e a pacificação voltem a vigorar na região, pois o atual conflito representa um fator de instabilidade a ser superado no curto prazo.
Diante da operação perpetrada sob a gestão de Trump, os democratas de todo o mundo esperam que ela encontre limites nos princípios que regem o convívio democrático no cenário internacional. Devolver o poder ao povo é um bom começo.