O bem comum que deve ser buscado pelo poder público e pela sociedade envolve uma série de itens que aportam para a qualidade de vida nos moldes do índice de desenvolvimento humano (IDH), aferido pela Organização das Nações Unidas (ONU), que mede qualidade de vida em pontos relevantes, como saúde, com a expectativa de vida ao nascer; educação, em anos de escolaridade e expectativa de escolaridade; e renda nacional per capita. Como se vê, a educação ocupa um lugar privilegiado nessa medição e constitui ferramenta sólida para indicar o grau de desenvolvimento socioeconômico de uma nação.
Dessa forma, não há como admitir que a chaga do analfabetismo remanesça entre nós. Levantamentos oficiais dão conta de que, em 1940, menos da metade da população adulta sabia ler e escrever, com percentual de 44%. Já no Censo de 2010, a taxa de analfabetos no país era de 9,6%, caindo para 7%, uma queda que deve ser reconhecida, mas que representa um montante de 11,4% de pessoas com 15 anos ou mais que não dominam os fundamentos mínimos da leitura e da escrita. Ou seja, mesmo com uma taxa de alfabetização de 93%, ainda temos muito que avançar, pois nossa população desprovida das habilidades citadas supera o contingente populacional de muitos países, como nossa pátria-mãe, Portugal. Também não podemos esquecer os acometidos pelo analfabetismo funcional, uma vez que, segundo estimativas, cerca de 29% dos brasileiros de 15 a 64 anos conseguem apenas ler palavras isoladas ou números familiares, com dificuldades de interpretação quando submetidos a textos mais complexos. As consequências da falta do domínio desse universo que envolve a decodificação das palavras grafadas podem ser as mais variadas. Pode interferir no trabalho, limitando o acesso a empregos formais e a melhores salários; no exercício de direitos no cotidiano, dificultando a compreensão de contratos, de leis ou de votar de forma consciente; na saúde, comprometendo a leitura de receitas médicas e do entendimento sobre tratamentos; na tecnologia, restringindo uso de celulares, aplicativos e serviços digitais; e no dia a dia, restringindo a prática de tarefas comuns, como ler placas, preencher formulários ou acompanhar notícias.
O analfabetismo é uma barreira para o exercício da cidadania e deve ser removido da vida coletiva. Não podemos ter cidadãos de segunda classe, alijados por uma exclusão social condenável e indecente.