O mundo vive em uma constante tensão por conta de algo que poderia ser matematicamente equacionado. Trata-se da insegurança alimentar relativa aos milhões de pessoas que passam fome em todo o planeta. Segundo levantamento de instituições sérias, lideradas pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), em todo o globo, perde-se um bilhão de toneladas de alimentos por ano, enquanto em torno de 700 milhões de pessoas encontram-se em estado crítico no tocante à alimentação. Diminuir esse desperdício em 50% poderia erradicar a fome de mais de 150 milhões de pessoas, além de frear as mudanças climáticas, já que a comida no lixo emite gases de efeito estufa.
Todavia, poder-se-ia avançar mais com as medidas adequadas. Levantamentos dão conta de que, em nível global, se desperdice mais de um bilhão de refeições por dia, montante maior do que o de seres humanos que padecem de fome atualmente. Infelizmente, questões de logística e de armazenamento interferem na tentativa de equacionar esse desequilíbrio gritante, entre muitas outras, algumas delas relacionadas com a falta de políticas públicas para uma redistribuição eficiente. O Brasil é um dos países que tomou a frente nesse cenário, propondo a Aliança Global Contra a Fome e a Pobreza, iniciativa compartilhada no âmbito do G20, que reúne as nações mais ricas de todos os continentes. Internamente, o país vem implementando uma série de programas que o credenciam a liderar esse processo, a exemplo da Lei da Doação de Alimentos, que permite a doação de alimentos excedentes e refeições prontas diretamente para entidades beneficentes por parte de supermercados, restaurantes e indústrias, facilitando o amparo legal, bem como a Rede Banco de Alimentos, estruturada pela sociedade civil e alicerçada basicamente no trabalho voluntário. São sinalizações importantes e ilustrativas de possibilidades de alcançar melhores resultados nessa luta para levar dignidade humana aos mais desvalidos.
Esse tema assume um caráter estratégico para o fortalecimento e estabilização das democracias. Os regimes devem existir para proporcionar aos seus cidadãos condições de vida que lhes permitam viver com um mínimo de estabilidade socioeconômica. Somente assim teremos uma paz social em uma geopolítica que hoje se mostra frágil e conturbada.