Editorial

O endividamento das famílias brasileiras como ponto de tensão

Medidas para conter a inadimplência são necessárias e bem-vindas no país.

O endividamento familiar é algo que compromete o crescimento da economia do país, com reflexos nos salários, na geração de empregos, na produção e na própria arrecadação do erário, necessária para financiar serviços básicos nas áreas de saúde, educação, ciência, mobilidade urbana, saneamento, logística e outras. De acordo com números recentes, no ano em curso já temos cerca de 80 milhões de pessoas com dívidas, algo que demanda iniciativas que possam ajudar esse contingente a mitigar ou a superar essa realidade que paralisa seu cotidiano. A principal inadimplência se dá com cartão de crédito rotativo, cheque especial e crédito pessoal não consignado, em geral com juros altos que viram uma verdadeira bola de neve, tornando-se praticamente impagável.

Para tentar ajudar as famílias, algumas medidas estão sendo encaminhadas pelo governo federal, a exemplo do Novo Desenrola Brasil, que garante descontos de até 90% sobre o valor da dívida, juros reduzidos, com limite de 1,99% ao mês, prazo de pagamento maior, valor mínimo da parcela, com teto de negociação de até R$ 15 mil por pessoa. Outro encaminhamento é o uso do FGTS, com a liberação do emprego de recursos do FGTS para quitar dívidas, com enquadramento das famílias com renda de até cinco salários mínimos, ou seja, R$ 8.105. São ações que se juntam a outras anteriores, como as tomadas pelo Banco Central para conter a expansão dos débitos do cartão de crédito, impondo um limite legal no qual os juros e encargos do crédito rotativo não podem ultrapassar 100% do valor originário da dívida. Igualmente houve a implementação da portabilidade gratuita e digital do saldo devedor, permitindo buscar bancos que ofereçam taxas menores. Nesse contexto, em paridade com esse viés mais imediato, tramita no Congresso Nacional uma proposição para incluir nos currículos escolares conteúdos de educação financeira. Sem dúvida, não se pode esquecer de adotar providências de longo prazo. É preciso mudar essa cultura de mau gerenciamento do orçamento doméstico, buscando otimizar esses recursos.

Ganhar mais, ter bons rendimentos é sempre algo viável para se ter como objetivo. Todavia, isso pode se tornar inócuo diante do descontrole financeiro. Aprender a gastar com parcimônia e otimizando os vencimentos é algo que favorece as relações de consumo e, por tabela, todo o nosso ciclo produtivo.

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