Para que a economia vá bem, há muitas variantes que devem ser observadas, como a geração de postos de trabalho, o aumento da massa salarial para fomentar o consumo, a oferta de crédito para incentivar investimentos da iniciativa privada, a logística na circulação dos produtos, a expansão da capacidade de armazenagem, a taxa de juros em níveis adequados, entre outros pontos. Nesse contexto, e com o devido realce, também se deve inserir a necessidade de que a inadimplência dos consumidores ocorra num patamar o mais baixo possível, pois, como se sabe, as instituições financeiras repassam aos tomadores de empréstimos o custo das suas operações não cobertas pelos seus clientes.
No quesito do endividamento familiar, o cenário é de apreensão. No ano em curso, cerca de 80% das famílias brasileiras estão endividadas, com 13% em inadimplência severa. O Banco Central aponta que o comprometimento da renda com dívidas chegou a 49,3%, e os juros médios para pessoas físicas superam os 59% ao ano. Na classe média, no segmento das famílias com renda acima de 10 salários mínimos, o percentual dos que têm mais de 50% da renda comprometida chega a 12,8%. Percebe-se facilmente que existe um grande descompasso entre a inflação oficial, na casa de um dígito, e os percentuais praticados pelos bancos e instituições financeiras, que chegam aos dois dígitos no mês e se multiplicam de forma progressiva no somatório do ano. Isso significa mais impeditivos para que o dinheiro circule e chegue ao bolso do trabalhador, já que se trata de uma “mercadoria cara”.
Diante desta realidade, há que se propugnar pelo aumento da produtividade, como meio de aumentar a oferta de bens no mercado, bem como pelo aumento do crédito, com juros menores, para pessoas físicas e jurídicas. Outrossim, é muito relevante que se disseminem na coletividade conteúdos de educação financeira, uma vez que eles podem ajudar o consumidor a ter critérios de compra, incentivando a competitividade entre fornecedores e salvaguardando seus rendimentos para poder adquirir outros itens necessários. O poder de compra pode ser um excelente aliado quando bem valorizado, ajudando a conter a espiral inflacionária.