O endividamento das famílias brasileiras constitui um sério entrave para o desenvolvimento econômico do país, bem como pode ilustrar as dificuldades que boa parcela da população enfrenta para ter acesso a bens e a serviços e até mesmo a itens básicos, como uma alimentação equilibrada, saudável e nutritiva. De acordo com dados levantados pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), em abril de 2026, cerca de 80,4% das famílias brasileiras estão endividadas. Esse é o maior nível já registrado na série histórica da entidade representativa do varejo. Esse cenário apresenta óbices para a expansão do consumo, mostra o avanço da inadimplência e coloca o endividamento como um tema de destaque no cotidiano.
Os números são realmente preocupantes. O comprometimento da renda familiar, na média, atinge 49,7% com dívidas. Aproximadamente 29,6% das famílias têm contas em atraso. Isso ocorre por causas como juros elevados, inflação persistente e desequilíbrio fiscal dos entes federados, principalmente da União, que, para fechar suas contas, toma empréstimos que demandam alta remuneração, pressionando o custo de vida. A solução não passa por medidas fáceis, mas envolve uma série de iniciativas que passam por renegociações em massa, com os credores, notadamente na relação entre bancos e clientes; oferta de crédito e de juros mais compatíveis com o poder aquisitivo dos consumidores; expansão da produção e do Produto Interno Bruto (PIB) para gerar um mercado mais aquecido; e educação financeira, com campanhas de esclarecimento e de orientação para um consumo mais consciente e para o gerenciamento mais consciente das dívidas.
Visando intervir nesse quadro que causa apreensão para a coletividade e para o setor produtivo, o governo federal está anunciando algumas medidas, como o uso de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para abatimento de débitos e um novo programa de renegociação para diminuir os valores devidos. Espera-se que esse gerenciamento seja feito com celeridade no rumo de um ciclo de crescimento que traga estabilidade e ganhos para todos, principalmente para os segmentos mais vulneráveis economicamente.