Editorial

O flagelo das mães gaúchas

Neste dia 12 de maio, milhares de mães gaúchas tiveram um domingo de apreensão e muito diferente do que seria de se esperar, com congraçamento familiar para celebrar essa data tão importante, a qual costuma ser cercada de abraços, de sorrisos, de palavras carinhosas e de manifestações de afetos. Infelizmente, dada a tragédia das cheias que assolaram o Rio Grande do Sul, o dia foi marcado por tristezas, saudades e ausências, com os corações maternos apertados e a solidariedade com outras mães atestada em cada sentimento de empatia. Afinal, nada melhor do que uma mãe para compreender a dor da outra. Muitas delas estão nos abrigos improvisados com seu clã, com todo o tipo de carências e sem o conforto mínimo de seu lar, com dificuldades as mais variadas para atender a si e aos seus filhos, muitos necessitando de cuidados especiais.

Realmente, não há como ficar indiferente à sorte dessas mães que costumam esperar ansiosamente por esse dia tão especial para conviver com seus filhos e netos e, assim, reforçar os laços afetivos. Desafortunadamente, isso não pôde ser feito neste ano e muitas mães estão chorando pelos seus filhos distantes, bem como por aqueles que estão desaparecidos ou que morreram em meio a esta inundação sem precedentes. O luto e a aflição da busca deslustraram uma efeméride que deveria ser de alegrias plenas. Não são poucas as mulheres gaúchas que, com o coração apertado e os olhos marejados, auscultam o futuro com o olhar dividido entre a incerteza e a esperança. Mas a fibra dessas guerreiras há de impulsioná-las para a frente, porque viver é um imperativo e o amor de mãe nunca se detém diante das adversidades.

Alguém já disse que as mães são mães de todos os filhos do mundo, porque a maternidade é algo caro para as mulheres e cabe a elas gerar a vida e renovar o mundo. Neste cenário em que muitas vezes passam por dramas pessoais sem precedentes, não é demais esperar que em breve tudo isso seja passado e que outros Dias das Mães virão para deixar para trás este período de aflição e de perdas imensuráveis. Enquanto as mães embalam a resiliência, as águas hão de arrefecer e o sol voltará a brilhar na também "mui leal e valorosa" província de São Pedro.