Amenos de um mês do término do inverno, a estação mais rigorosa do ano continua nos brindando com dias friíssimos e intempéries adversas, como inundações e vendavais. A própria coluna Tempo e Clima, do Correio do Povo, vem registrando uma sequência robusta de dias com temperatura abaixo de zero, o que mostra o quanto os gaúchos estão passando, notadamente no mês de agosto, cantado em prosa e verso como tradicionalmente gelado, chegando a gerar expressões jocosas, como “agosto, mês do desgosto” ou de um frio “de renguear cusco”.
Nesse contexto, a população busca meios de amenizar essa frialdade toda. E são em condutas com esse objetivo que costumam residir grandes perigos. Não raro, na tentativa de aquecer o ambiente, são empregados itens como lamparinas, velas, aquecedores elétricos e assemelhados, que contêm um potencial para gerar acidentes de grandes proporções, como incêndios que se disseminam com rapidez e geram perdas de vidas e de patrimônios, bem como podem causar queimaduras profundas nas vítimas. Também é de alta probabilidade de danos o uso de fiações elétricas defasadas, bem como ligações clandestinas que não suportam o fluxo demandado de energia elétrica. Nesse aspecto, os sinistros podem ser gerados por imperícia, quando não se sabe operar determinado objeto; por imprudência, quando se faz o que não se deve, como fazer uma conexão indevida e ilícita; ou negligência, quando se deixa de fazer determinada vistoria ou algo importante que deva ser feito, a exemplo de uma revisão da rede elétrica. Outro cuidado deve ser tomado em relação aos carregadores de celular, que têm sido motivo de muitos curtos-circuitos capazes de causar choques elétricos e propagação de centelhas que geram o fogo, agente causador de muitas tragédias, principalmente em comunidades sem planejamento urbano.
Agosto está em curso, setembro vem por aí, com a maior parte dos dias contados ainda na invernia. É preciso considerar cuidados básicos, na esteira dos alertas das autoridades. Todo cuidado é pouco e se insere na possibilidade positiva da prevenção. Muitas vidas podem ser salvas se as ações corretas forem encaminhadas antes que o mal evitável seja consumado.