Nunca se viveram tempos tão complexos em relação ao meio ambiente com os incidentes climáticos e o aquecimento global. As consequências são as mais danosas possíveis, atingindo o território das nossas cidades e fazendo com que um problema que parecia abstrato se torne concreto e adverso no cotidiano, haja vista as catástrofes envolvendo inundações num momento e secas intensas em seguida. O desequilíbrio é evidente e as medidas de enfrentamento ou mesmo de mitigação precisam ser tomadas sem tardança no curto, no médio e no longo prazos.
Nesse sentido, é bem-vinda a iniciativa, em nível federal, de implementar o Plano Nacional de Arborização Urbana (PlaNAU), lançado em 2025, que visa ampliar e qualificar a arborização das cidades brasileiras, estabelecendo metas até 2045. Os benefícios dessa implantação são muitos, como a possibilidade de reduzir a temperatura em até 5°C, maior controle de alagamentos, melhor absorção da água pela terra por conta das árvores, melhoria da qualidade do ar, democratização do acesso a áreas verdes, diminuição do risco de óbitos por conta do calor excessivo, criação de espaços públicos destinados à convivência social, recuo da incidência de doenças por conta da regeneração dos ecossistemas, transformando os entornos em lugares mais saudáveis, entre outros itens. Nesse contexto, as medidas pontuais que apontem para a consecução dos objetivos estratégicos são muito relevantes e necessárias. Uma delas foi anunciada nesta semana. Trata-se de um edital público, lançado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), que prevê a liberação de R$ 19 milhões para aumentar as áreas verdes de cidades com população entre 20 mil e 750 mil habitantes. Uma das prioridades é arborizar as periferias das pequenas urbes, buscando um aporte na qualidade de vida dessas comunidades.
Um planejamento, por melhor que seja, só poderá ter seu impacto avaliado quando colocado em prática. Sem dúvida, o PlaNAU é ousado e alvissareiro. Que não lhe faltem recursos nem responsabilidade na sua execução a fim de que tenhamos de fato os ganhos ora prospectados em sua fase inicial.