A produção de alimentos no Brasil, especialmente no Rio Grande do Sul, sempre esteve às voltas com oscilações de preços. Por vezes, a chamada montanha russa é usada pelos produtores como metáfora para mudanças de preços nem sempre esperadas, como seria de se esperar nas relativas aos períodos de safras e outros fatores. No entanto, a esses soma-se com frequência absolutamente irregular outros determinantes que mantêm os produtores em permanente expectativa.
Estiagens, enchentes, doenças animais ou fitopatologias, acordos ou desacordos comerciais e leilões extemporâneos influenciam decisivamente a formação de preços na produção primária ou a evolução dos mercados. Até mesmo a posição conquistada nas prateleiras dos supermcrcados é fator que estabelece o lucro ou prejuízo dos envolvidos, desde o produtor até o consumidor final. Não faltam intromissões de governos ou de setores alheios ao dia a dia da produção.
Exemplo recente e importantíssimo a atazanar a vida dos produtores é o recente conflito tarifário com os Estados Unidos. Com origem na política, a confrontação afeta relevantes mercados do agro no RS, como o do tabaco ou das carnes.
Por vezes, contudo, aparecem motivos para mudanças surpreendentes que chagam a se emparelhar com o bizarro. Agora mesmo, a recente onda do “moranguinho do amor”, nascida das interações nas redes sociais da Internet, já provocou uma alta de pelo menos 140% nos preços do morango na Ceasa porto-alegrense. E os produtores gaúchos sequer podem se beneficiar da onda de amor pelo moranguinho, pois a colheita atual, que mal está começando no Estado, é insuficiente para preencher a fome dos consumidores, sendo o mercado atendido no RS por produção mineira. Um setor que muito sofreu com as mudanças climáticas e fatores como boatos irresponsáveis décadas atrás não se beneficia de um ganho que poderia premiar famílias envolvidas em esforços de gerações. O agro é para os fortes.