A violência contra a mulher é um fato e essa situação é feita de muitas variáveis que precisam ser identificadas e ser alvo de políticas públicas e privadas na busca permanente de tentar corrigir rotas que levam aos números estarrecedores que temos atualmente, tanto de agressões como de cometimento de crimes letais contra esse segmento vulnerável. Entre esses fatores que favorecem esse clima de submissão está a falta de independência econômica Isso é algo que impede que milhares de brasileiras possam retomar o rumo de suas vidas e seguir adiante, em busca de novos rumos e de relações mais saudáveis.
Esse diagnóstico é ratificado pela pesquisa Mulheres e Mercado de Trabalho, divulgada no sábado. O levantamento, realizado por uma consultoria especializada, apontou que, para as mulheres ouvidas, ter autonomia financeira para decidir sobre a própria vida está no topo das preocupações. As participantes da pesquisa, num total de 180, estão cadastradas numa plataforma de educação corporativa e responderam a questões que envolvem trabalho e vida pessoal. Entre as metas desse público-alvo do estudo, o desejo de independência financeira foi apontado como prioridade por 37,3% delas, seguido pela saúde mental e física, 31%, e, na sequência, a realização profissional. Estabelecer uma relação amorosa não está no horizonte nem de uma em cada dez entrevistadas. Garantir a própria sobrevivência é tido e havido como imprescindível por grande parte das brasileiras, notadamente daquelas que almejam ser capazes de sustentar a si mesmas e a seus filhos e suas filhas.
Diante desses dados que se afiguram idôneos para informar um cenário comum para uma grande parcela das mulheres do país, urge que os governantes busquem colocar em prática medidas que possam auxiliá-las nos seus intentos. Iniciativas como capacitação profissional, para além das medidas protetivas, que também são essenciais, devem ser adotadas e fazer parte de um sistema de assistência que não pode mais continuar com lacunas que impedem o exercício da cidadania por parte desse contingente que é maioria populacional, mas minoria quando se trata de ter seus direitos respeitados.