Editorial

O urgente e necessário combate ao bullying no espaço escolar

Os alunos precisam de apoio para não serem alvo de intolerância nas escolas.

Nossa sociedade, em sua complexidade, tem suas coisas virtuosas, como a solidariedade que costuma se manifestar nas adversidades coletivas, e suas mazelas, quando alguns desajustados praticam condutas violadoras da boa-fé, das leis e dos direitos humanos. Nesse contexto, todos temos compromissos com o enfrentamento da violência que grassa na coletividade, defendendo os segmentos mais vulneráveis, como crianças, adolescentes, idosos e mulheres. Eis um trabalho que deve ser feito cotidianamente, envolvendo as comunidades e o poder público. A defesa da vida e da integridade física e psicológica das pessoas é uma bandeira que não pode ser negligenciada e deve estar em destaque todos os dias.

Nesse sentido, contribui para essa luta a instituição do Dia Nacional de Combate ao Bullying e à Violência na Escola, que ocorre neste 7 de abril. A data foi instituída pela Lei 13.277/16 e busca conscientizar acerca dos impactos dessas práticas, as quais afetam milhares de estudantes em todo o país, gerando traumas psicológicos, sociais e até consequências criminais. A gravidade do problema é indicada por diversos levantamentos, que apontam que cerca de 30% dos estudantes brasileiros já sofreram bullying no espaço escolar. Esse assédio pode se manifestar em formas físicas, verbais, psicológicas e até mesmo virtuais, como é o caso do cyberbullying. O resultado costuma estar associado a depressão, ansiedade, evasão escolar e até mesmo a tentativas de suicídio. Pela sua imaturidade e personalidade ainda em formação, nossos jovens costumam ser alvo fácil dessas ações, que, não raras vezes, são praticadas por outros menores como eles, que não recebem a orientação nem a contenção necessária para evitar que ajam dessa forma impensada e intolerante com quem consideram diferente.

O papel da escola é primordial para realizar campanhas de esclarecimentos e mudar comportamentos. O ideal é que isso seja feito prescindindo da aplicação da lei penal, já que determinadas condutas constituem crimes. Urge agir de forma preventiva para que essa fase de passagem da adolescência para a vida adulta seja feita com o menor dano possível para todos os envolvidos.