Editorial

Uma cidade de grande porte, como Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul, precisa conjugar diversas variáveis que a façam ter um desenvolvimento sustentável sem perder suas características históricas. A mobilidade urbana deve envolver modernos meios de transportes, mitigação da poluição, limpeza pública eficiente e uma paisagem que seja agradável aos olhos de moradores e visitantes. Seria algo dentro daquela premissa de evoluir conservando, valorizando a memória coletiva e o legado dos nossos antepassados.

Como um grande centro de comércio e de eventos, a maior cidade gaúcha é uma vitrine do Estado. Acossada pelas águas nas cheias de 2024, resistiu bravamente e seu processo de retomada da normalidade encontra-se em fase avançada. A prefeitura tem realizado obras em vários bairros, com benfeitorias necessárias, úteis ou estéticas. Um exemplo é a restauração do viaduto Otávio Rocha, uma das obras-primas da arquitetura porto-alegrense. Nesse sentido, mais contratações estão previstas para realizar novas intervenções no espaço urbano. Uma delas diz respeito ao alinhamento e à recuperação do calçamento dos paralelepípedos da Rua dos Andradas, entre as ruas Caldas Júnior e general Salustiano, no Centro Histórico. Cabe a legítima expectativa de que tudo seja feito de forma a se restaurar o padrão histórico e com a manutenção do material já existente ou incorporação de outros com o máximo de similaridade para se conservar a ideia original. Isso também deve ser estendido para imóveis que contam a história do município. Muitos estão sendo destruídos sem que haja um inventário de seu real valor para a memória coletiva.

Há que se fixar bem que os procedimentos previstos precisam seguir normas técnicas emanadas dos órgãos que têm a atribuição de fiscalizar as ações do ente municipal. Não há como insistir em erros anteriores, quando o pavimento anterior foi substituído por um asfalto antiestético e danoso, inclusive com pouca permeabilidade. O emprego dos recursos do erário deve ser otimizado e o benefício de cada programa precisa ser proporcional ao investimento realizado.