Algo que deve estar no centro de todas as normas técnicas de proteção e de cautela no cotidiano diz respeito aos acidentes evitáveis, muitos deles letais ou deixando sequelas irreversíveis ou por um tempo considerável. Entre eles, figuram os sinistros com a rede elétrica, que cresceram muito em 2025, conforme levantamento recente realizado pela Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), que reúne 42 concessionárias e permissionárias de distribuição de energia elétrica, de capital público, privado ou misto, presentes em todas as regiões do Brasil.
De acordo com a entidade, o montante de acidentes com a rede elétrica aumentou de 685 casos, em 2024, para 703, em 2025, segundo balanço divulgado nesta terça-feira. O total de óbitos caiu de 257 casos em 2024 para 252 no ano passado, continuando muito elevado, o que demanda a atenção do poder público e da iniciativa privada para a adoção de medidas que possam reverter esse cenário adverso. Nunca é demais dizer que a qualificação da mão de obra é um item fundamental para atingir esse objetivo. Na construção civil, as causas estão relacionadas com os contatos acidentais com cabos energizados durante obras e reformas e também por equipamentos próximos à rede elétrica, incluindo guindastes, máquinas agrícolas e outros equipamentos de grande porte. Visando colocar este assunto em evidência, a Abradee está promovendo uma campanha que tem como tema "Energia liga. Segurança protege", a qual se estenderá até setembro. No próximo mês, a divulgação será ainda mais intensificada com o advento do Agosto Vermelho, que alerta para os riscos que envolvem as conexões com a rede elétrica.
Uma vez que esta pesquisa se refere apenas às ligações externas de energia, há que se chamar a atenção também para os cuidados que se deve ter no âmbito doméstico. Os chamados gatos feitos de forma clandestina, o uso de fiações inapropriadas, manuseio de eletrodomésticos em condições precárias, entre outros pontos, também contribuem para aumentar o número de tragédias com eletricidade. Prevenir e conscientizar são dois verbos que devem estar no topo das preocupações das autoridades e dos gestores dos empreendimentos que atuam nesta área tão sensível quanto de alta periculosidade.