Este mês de março, tradicionalmente, traz um período de homenagem às mulheres. Todavia, neste ano, a par com a exaltação, é preciso fazer alertas sobre a escalada da violência contra as brasileiras, inclusive, com incremento no número de mortes e de agressões na comparação com anos anteriores. O Rio Grande do Sul teve duas dezenas de assassinatos de gaúchas nos dois primeiros meses do ano, sendo que, no país, esse número já está se evidenciando recrudescente, ainda que não haja dados consolidados relativos a este primeiro trimestre. Dessa forma, neste 8 de março, Dia Internacional da Mulher, as comemorações precisam ser mitigadas pela lente da realidade.
As mulheres são guerreiras e merecem nossa admiração. Estão presentes em todos os segmentos produtivos, criam filhos, exercem cargos públicos, chefiam famílias, são impulsionadas pela empatia em suas ações. Apesar de serem a maioria da população, ainda são tratadas como minorias quando as questões envolvem equilíbrio salarial, dupla jornada de trabalho e amparo de creches para poderem laborar, além de terem que enfrentar um machismo estrutural, disseminado pela sociedade, que prejulga negativamente sua capacidade intelectual, inclusive para tomar suas próprias decisões. Esse contexto atual evidencia muito bem o que têm sido as jornadas de combates das mulheres ao longo da história, como bem se pode ilustrar pelo fato de que apenas na década de 30 elas conquistaram o direito de voto. Ainda são em menor contingente nos órgãos de poder, como o Executivo, o Legislativo e o Judiciário, principalmente na cúpula das instituições representativas, e isso vem sendo alvo de debates sobre a forma de minorar essa disparidade.
A defesa das mulheres é um tema que está na ordem do dia. Ou se consegue reverter esse ciclo de tragédias ou estamos em xeque como sociedade e como civilização. Como sabemos, precisamos avançar em relação aos direitos básicos delas. Contudo, para que esses avanços sejam possíveis, é inexorável que temos que garantir-lhes um direito basilar, fundamental e inarredável, o de estarem vivas para usufruir dessas conquistas.