Muitos crimes merecem a repulsa da sociedade, mas, nessa escala, aqueles cometidos contra os animais são de grande reprovação social por envolverem seres indefesos e inocentes. Não obstante a legislação ter sido alterada para impor penas mais duras aos infratores, as penalidades continuam a ser brandas diante do estrago que provocam nos ecossistemas, alterando não somente o equilíbrio da própria fauna, mas também da flora e de todo o ecossistema em que o todo depende das partes e as partes complementam o todo, com cada um cumprindo sua função imprescindível para que tenhamos um meio ambiente estável.
Os delitos de tráfico e de venda irregular continuam. E isso faz com que as autoridades se mantenham alertas para reprimir os praticantes dessas condutas ignominiosas. Na semana que passou, na quinta-feira, a Polícia Civil do RS, por meio da Delegacia do Meio Ambiente (Dema), do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), deflagrou a Operação Canindé, visando combater a prática de crimes contra os animais, incluindo maus-tratos e falsidade ideológica, nos municípios de Novo Hamburgo e Porto Alegre. A iniciativa contou com o apoio da Secretaria Estadual do Meio Ambiente. Foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão e houve a apreensão de 55 araras num criadouro que funcionava de forma irregular. Os pássaros eram mantidos em péssimas condições no confinamento, constatando-se problemas sanitários, o que implicou distúrbios nutricionais e comportamentais nas aves.
Todo esse complexo criminoso tem o objetivo de obter lucros fáceis com a venda das araras. Isso só mostra que é preciso interromper esse comércio ilícito, inclusive com a conscientização dos eventuais compradores, cúmplices dessas atividades cruéis. Para isso, é preciso que a população colabore encaminhando denúncias pelos canais próprios das forças policiais. Somente uma união efetiva pode formar uma frente de preservação dos nossos biomas e sistemas ameaçados pela destruição que avança em ritmo acelerado.