Editorial

Os desafios da ciência num aporte para o desenvolvimento do país

O país tem os meios para ser uma potência científica e isso não pode ser negligenciado.

O termômetro para saber o potencial de desenvolvimento de uma nação pode ser medido pelo grau de grandeza da sua ciência e da sua produção científica. Investimentos na área, formação de cientistas e de pesquisadores, instituição de cursos técnicos e de formações em grau universitário, criação de empresas públicas para dar suporte aos produtores, tudo indica o comprometimento dos governos e dos legisladores com esse segmento tão importante para aumentar a competitividade do país e agregar valor aos seus bens, produtos e serviços, inclusive na área da saúde, com estudos e descobertas que salvam vidas.

No ano em curso, o Brasil vivencia uma recomposição parcial do seu panorama científico. Existem avanços em áreas estratégicas como biotecnologia, aeronáutica e energia, mas remanescem defasagens em setores básicos e na sustentação estrutural das instituições de pesquisa. O orçamento teve um incremento, mas ainda depende basicamente do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT). Por sua vez, também os registros de patentes e artigos publicados mostram aumento, embora de forma desigual entre áreas. Em relação às patentes registrou-se um crescimento de 7% em relação ao ciclo anterior e, desse total, 39% dos pedidos foram feitos por pessoas físicas, evidenciando uma forte participação de inventores independentes. Cabe ressaltar ainda que os pedidos de marcas chegaram a quase 500 mil solicitações em 2026, um aumento de 8% em relação a 2024 e mais que o dobro da média histórica, que é de 201 mil. Chama a atenção que 48% dos pedidos venham de MEIs e de pequenas empresas, impulsionados pela ampliação do comércio digital. Em relação à reindustrialização nacional, o programa Nova Indústria Brasil (NIB) recebeu um aporte recorde de R$ 70 bilhões neste ano. O foco é modernizar fábricas, estimular a inovação e reduzir a dependência de importações, com destaque para setores como agronegócio, saúde, defesa, infraestrutura, bioeconomia e transformação tecnológica.

Como se vê, as movimentações para dotar o país de uma maior capacidade produtiva e de atendimento das demandas de sua população estão adiantadas. Urge que sejam executadas da melhor forma possível, unindo governos, iniciativa privada e sociedade civil. O mundo desenvolvido avança e o desafio é acompanhar esse ritmo de olho no futuro.