O drama de muitas cidades gaúchas após as enchentes em relação ao que fazer com tanto entulho ilustra bem o potencial destrutivo e desestruturador para o meio ambiente. Por seu tamanho e abrangência, Porto Alegre maximiza esse impacto e tem desafios sobre o que deve ser feito no cotidiano de forma a minimizar a questão das cheias, notadamente em relação a uma urbe que tem um rio dentro do seu território. Os números impressionam e demandam soluções estratégicas no curto, médio e longo prazos, principalmente no que diz respeito à celeridade de obras preventivas, de construção de moradias e de identificação de possíveis áreas de risco.
Na Capital, levantamentos dão conta de que, sete meses depois dos desastres ambientais, há a contabilização de 180 mil toneladas de entulhos recolhidas, sendo que 50 mil toneladas desse montante ainda aguardam destinação apropriada e estão num local provisório chamado de bota-fora, um dos nove que foram criados durante o pico de crise e que ainda se encontra em atividade. Do bairro Sarandi, onde estão alocados, esses resíduos deverão ser encaminhados para aterros em Minas do Leão e Santo Antônio da Patrulha, municípios da Região Metropolitana.
Esse volume enorme de lixo tem sua origem em tragédias climáticas que constituem força maior em relação ao cotidiano das comunidades atingidas. A par disso, ajuda muito acondicionar corretamente os materiais que se descartam, procedimento que, além de se somar às regras vigentes para a coleta seletiva, ainda evita que as vias públicas fiquem entulhadas de plásticos e de outros objetos que bloqueiam as bocas de lobo, que servem para escoar as águas. É por isso que a colaboração da coletividade é essencial na manutenção do sistema preventivo, assim como cabe ao poder público realizar o que lhe cabe, como manter funcionando o sistema de bombeamento. Cada um deve fazer a sua parte em prol de todos a fim de que os benefícios sejam abrangentes.