Editorial

Os novos tempos da interpretação oriunda das informações

A interpretação de um fato deve guardar um mínimo de conexão com a realidade vivenciada.

Por muito tempo, produzir em todas as áreas do conhecimento demandava um trabalho hercúleo em muitas fontes nem sempre acessíveis, como livros ou enciclopédias. Não raro, era preciso encomendar o material que serviria de fonte para pesquisas e trabalhos variados, como os produzidos na área acadêmica. Por falar em enciclopédias, era comum que as famílias recebessem em suas casas os anunciadores dessas publicações, comprando dos vendedores de forma parcelada. A aquisição passava a ser um tesouro do clã familiar, abrindo as portas para a cultura e a educação por meio de consultas e até de fichas de leitura.

Os tempos mudaram e, com isso, as perspectivas, os hábitos e as formas de absorver os conteúdos. Com o advento das novas tecnologias, algumas mídias se tornaram obsoletas, como é o caso dos CDs e DVDs, e o livro físico passou a ter a concorrência do livro digital. Bibliotecas e museus do mundo inteiro tornaram-se acessíveis em simples toques no teclado de um dispositivo conectado à rede mundial de computadores. A informação entra em nossas casas e locais de trabalho com uma facilidade nunca antes imaginada. A base de dados se expandiu vertiginosamente, gerando novas possibilidades de interação que permitem acumular subsídios que vão sendo escopo para outras descobertas e inovações, num ciclo que parece se prolongar indefinidamente. Contudo, em meio a esse cenário instigante, uma grande parcela da população parece infensa ou impermeável a essas mudanças na medida em que, conforme indicadores, principalmente os escolares, apresenta uma enorme dificuldade para interpretar as informações que circulam. Dessa forma, o binômio informação-interpretação, em alguns segmentos, parece não estar ainda bem equacionado. Pode-se dizer que os fatos são os fatos, mas escolher uma versão sobre eles implica uma certa racionalidade para que tal visão não seja totalmente alheia ao que se quer retratar. Não é adequado, por exemplo, negar que as vacinas são essenciais para combater doenças.

Em sendo assim, há que se buscar que, desde a mais tenra idade, desde o ambiente escolar, as pessoas sejam levadas a fundamentar sua argumentação. Talvez não precisemos recorrer à maiêutica de Sócrates em diálogos cotidianos, mas cabe cobrar que elas exponham opiniões coerentes e fundeadas num nexo causal com a realidade.