Editorial

Os perigos e os danos causados pelo consumo de itens piratas

A compra de produtos ilegais afeta o comércio estabelecido e os recursos do erário.

Neste ano de 2026, podemos constatar que remanescem os problemas com os efeitos da pirataria na oferta de produtos nesse varejo ilegal. Por qualquer ângulo que se olhe, a venda de itens piratas só causa mal à economia do país. De acordo com levantamentos do Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade, os prejuízos para a cadeia produtiva ficam na ordem de R$ 470 bilhões, sendo R$ 327,8 bilhões referentes a perdas diretas da indústria, com um montante de aproximadamente R$ 140 bilhões de evasão fiscal.

São muitos os danos causados ao mercado por essas práticas ilícitas, bem como, por ricochete, aos interesses maiores da coletividade. A começar por aquele comerciante estabelecido, que paga seus impostos e remunera seus empregados, observando a legislação em vigor. A concorrência desleal mina suas receitas e compromete a manutenção do seu negócio. Nesse diapasão, há que se lembrar ainda que, ao diminuírem as vendas, nessa mesma proporção, diminui também a arrecadação dos órgãos públicos, que têm a incumbência de prestar serviços em diversas áreas sensíveis, tais como educação, saúde, saneamento, infraestrutura, logística, mobilidade urbana e outras. Aquilo que, num primeiro momento, pode sugerir um benefício aparente para quem adquire um item irregular, no médio e no longo prazos pode se revelar como danoso, uma vez que prejudica investimentos em atividades assistenciais importantes, como as que são prestadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) ou mesmo em aportes no recém-recriado Plano Nacional de Educação (PNE), que tem várias metas a serem atingidas e muitas delas exigem recursos do erário. Outrossim, não se pode esquecer que, por trás dessas aquisições inocentes, existem organizações criminosas que se capitalizam com esse dinheiro para cometer novos crimes, como é o caso do chamado novo cangaço.

Em sendo assim, é preciso deixar claro que as pessoas não podem ser indiferentes a este tipo de delito, que tem sérias consequências no seu próprio cotidiano, afetando o atendimento de suas demandas. Urge realizar campanhas de esclarecimento sobre os riscos para quem compra esses artigos ilícitos, inclusive para sua saúde, pois não há fiscalização prévia. Aquela máxima de que o barato sai caro se ajusta perfeitamente a esta realidade marcada pelo imediatismo de uma compra duvidosa.