Vivemos uma era de muitos paradoxos em relação ao processamento das informações, com muita circulação de mensagens, as quais, numa época de interação tecnológica, circulam em montante incalculável pela rede mundial de computadores, mas que, nem sempre, trazem a veracidade que delas se espera. Dessa forma, vê-se configurar um panorama em que os boatos aparentam ser providos de uma credibilidade que engana desavisados, causando todo tipo de perdas.
Alguns desses prejuízos, causados por tais veiculações que são repassadas entre os interlocutores sem o devido cuidado, acabam por envolver situações sensíveis que comprometem a integridade física e psicológica das vítimas dessas fake news. Entre elas, podemos citar os ataques às vacinas, apontando malefícios que não existem; receitas de dietas mágicas, que não dão resultado e, na melhor das hipóteses, fazem as pessoas perder tempo, quando não ficam com sequelas a serem contornadas; automedicação com indicações enganosas que burlam preceitos científicos e com potencial para abalar ainda mais a condição do já adoentado; dicas de investimentos, prometendo ganhos fáceis e que, geralmente, levam os lesados a apostar em pirâmides financeiras ou a cair em golpes virtuais; fórmulas miraculosas para curar o câncer ou outras doenças; recomendações de abandono de tratamento médico. São muitas as condutas delituosas que precisam ser enfrentadas no cotidiano, inclusive pelas autoridades, mas cuja prevenção deve começar de forma individual, com o cidadão munindo-se de dados fidedignos para ter subsídios que o protejam desse mal do nosso tempo, as notícias falsas.
Diante desse quadro, cabe incentivar, inclusive nas escolas, para que os leitores e internautas adotem o hábito de checar aquilo que lhes é repassado como se fosse verdade. Cabe uma postura responsável nesse ciclo de disseminação de supostos fatos. A sociedade não pode estar à mercê de falsidades com potencial para causar danos que, por vezes, são irreparáveis.