Faz bem o governo brasileiro ao agir com cautela, evitando uma escalada retaliatória em reação às medidas que vêm sendo anunciadas aos borbotões pelo presidente norte-americano Donald Trump, especialmente no âmbito econômico. É preciso antes pensar e agir com foco nos interesses do Brasil e dos consumidores brasileiros. É certo que Trump vem anunciando quebras de acordos sobre tarifas e voltando atrás, em alguns casos, com objetivos distantes das razões internas puramente econômicas, como na questão da imigração ilegal ou do combate ao tráfico de drogas, que envolveram, por exemplo, México e Canadá. Portanto, agir intempestivamente seria apenas adotar o mesmo procedimento já tão criticado ao redor do mundo.
Quanto às medidas de elevação unilateral de tarifas anunciadas por Trump como proteção ao mercado doméstico norte-americano, não faltam especialistas e políticos brasileiros e estrangeiros a apontar o custo inevitável para o consumidor dos EUA e para a própria indústria do país do Norte, visto que o aumento do preço final de um insumo básico como o aço tende a afetar a competitividade de várias cadeias produtivas. Portanto, adotar medida semelhante apenas como retaliação, mesmo que em outro mercado, pode provocar efeitos iguais, distantes do interesse do produtor ou do consumidor brasileiros. É certo que não é conveniente, também, a inação ou a omissão. Os mercados brasileiros precisam ser cuidados e protegidos de decisões danosas e prejudiciais tomadas ao arrepio das leis e acordos internacionais. Diplomatas brasileiros que passaram anos discutindo tarifas, isenções e volumes de negócios têm alertado que é preciso continuar negociando e pressionando nos fóruns adequados. O Brasil não está sozinho ou isolado da comunidade internacional. Não é certo agir de forma absolutamente reativa. É preciso pensar nos legítimos interesses nacionais, afastando a pressa enganosa e a verborragia estridente que tanto mal têm causado ao mundo nos últimos tempos.