O poder público tem a atribuição de manter ativos serviços em várias áreas essenciais, como educação, saúde, saneamento, infraestrutura, mobilidade urbana, segurança pública, entre muitas outras. Para fazer isso, os aportes vêm basicamente dos contribuintes, que, ao pagar uma série de tributos, seja na fonte, seja no consumo, seja na forma de pagamento por melhorias ou por demandas solicitadas, fazem ingressar no erário os recursos para bancar as atribuições dos entes federados.
Dessa forma, a qualidade da entrega satisfatória à coletividade daquilo que lhe é devido como ação por parte dos governantes depende de haver uma arrecadação compatível com o que é demandado pela população, notadamente sua parcela mais necessitada. Dessa forma, cada centavo que é desviado dos cofres públicos faz falta para que se cumpram satisfatoriamente as obrigações legais da União, dos estados e dos municípios. E isso fica muito evidente quando se analisa a questão da pirataria, que causa um déficit nos orçamentos das gestões públicas. De acordo com diversas estimativas de consultorias especializadas, os prejuízos anuais chegam a aproximadamente R$ 500 bilhões, um valor bastante significativo e que poderia ser empregado para melhorar a vida dos cidadãos e das cidadãs do país, como por exemplo, equipando melhor o Sistema Único de Saúde (SUS). Há levantamentos que dão números aos danos no mercado de trabalho. O setor de vestuário, farmacêutico e de combustíveis deixou de gerar 67 mil, 20,7 mil e 15,5 mil vagas, respectivamente, sendo que audiovisual e eletrônicos também tiveram forte impacto.
Esse varejo ilegal apresenta, entre muitos outros senões, dois que precisam ser bem explicitados. Um deles é que costuma capitalizar organizações criminosas que, fortalecidas financeiramente, irão dar continuidade à sua expansão criminosa, dificultando a reação das forças policiais. Outro é que os consumidores que fazem suas compras desses itens estão arriscando seu bem-estar e sua segurança ao consumir produtos não verificados. Eventuais vantagens de uma compra no curto prazo são elididas por sua repercussão negativa no médio e no longo prazos.