Em 2003, num ataque de terroristas à sede da Organização das Nações Unidas (ONU), Bagdá, no Iraque, morreu o diplomata brasileiro Sérgio Vieira de Mello, enviado especial da entidade àquele país, além de mais 22 pessoas. Desde então, a ONU promove o Dia Mundial da Assistência Humanitária nessa mesma data, em 19 de agosto. Infelizmente, desde lá, as perdas de trabalhadores humanitários vinculados à organização recrudesceram e o problema se mantém como um desafio para as nações civilizadas.
De acordo com a própria ONU, em 2023 foram 280 os envolvidos com essas tarefas de ajuda a populações vulneráveis. Em 2024, até agora, segundo a Aid Worker Security Database, já são 176 mortos nesse labor assistencial, sinalizando que os números do ano em curso podem ser ainda piores do que os do ano passado. Mais da metade dessas mortes ocorreram em Gaza durante os primeiros três meses da guerra entre Israel e Hamas, principalmente por conta dos bombardeios aéreos. Os conflitos armados no Sudão do Sul e no Sudão, onde grupos militares e paramilitares lutam entre si e vitimam a população civil, são os outros dois embates mortais para os trabalhadores humanitários, com 34 e 25 mortes, respectivamente. Constam ainda na lista dos dez primeiros também Israel e Síria (7 mortos cada), Etiópia e Ucrânia (6 mortos cada), Somália (5), República Democrática do Congo e Mianmar (4 cada).
Em nota, Joyce Msuya, chefe interina do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) condenou essa escalada violenta. Sem dúvida, deve ser repudiada essa investida contra pessoas que arriscam a própria vida para proteger e assistir comunidades fragilizadas e indefesas. O Brasil, pela sua importância em fóruns internacionais, deve demandar medidas que apontem para o fim dessa perseguição covarde e ignominiosa. O mundo civilizado precisa intervir para fazer cessar essas guerras e suas consequências mais terríveis, a perda de vidas de inocentes e de idealistas, como os que buscam salvar os civis desamparados.