A necessidade de ações focadas na redução da emissão de gases do efeito estufa, o que é provocado por combustível fóssil, incentiva o uso mais frequente de fontes de energia renováveis, e crescem iniciativas de transição energética. Entretanto, ontem o presidente Lula criticou o Ibama pela falta de autorização para explorar petróleo, justamente um combustível fóssil, na Foz do Amazonas. A área é considerada a mais sensível da região por abrigar unidades de conservação da biodiversidade marinha, além de terras indígenas situadas no entorno. O presidente do Ibama, Rodrigo Agostinho, lembrou que em determinados empreendimentos a sociedade faz cobranças. Lula, por sua vez, enfatizou que a Petrobras deve ser acionada para pesquisas detalhadas e que ninguém vai sair cavando buraco de 2 mil metros de profundidade sem antes saber a realidade.
Vale refletir sobre o quanto essa iniciativa poderia estar alinhada ou na contramão de uma tendência mundial. A transição energética, hoje já posta em prática em muitos países, pede uso de menos petróleo. A Amazônia já passa por perdas, é afetada por queimadas e desmatamentos, e imaginar poços de petróleo no local pode soar incômodo. Por outro lado, cálculos iniciais estimam entre 10 e 14 bilhões de barris recuperáveis na região, o que significaria um plus em números já positivos. A produção brasileira de petróleo em 2024 alcançou 3,36 milhões de barris por dia, segundo a estatal. Novas pesquisas vão mostrar a realidade atual da Foz do Amazonas, região que na década de 1980 já se destacava aos olhos de especialistas que viam ali possibilidade de explorar petróleo. Neste momento, avançar nas investigações é o mais importante, porque há duas riquezas em jogo. De um lado, uma commodity que perde popularidade por não ser energia limpa, mas que enriquece países. De outro, uma floresta que ajuda o mundo a “respirar”. Para equilibrar desenvolvimento e cuidado com o ambiente, só muita pesquisa. E essa deve ser a prioridade agora, antes de qualquer decisão.