Editorial

Políticas públicas em prol dos infantes

São muitos os pontos que merecem atenção do poder público e da sociedade civil para que nossos infantes e jovens tenham condições reais de ter uma vida digna. As adversidades são variadas, como bem descrevem os relatórios da ONU.

Toda iniciativa que coloque crianças e adolescentes como foco de políticas públicas que visem auxiliá-los em seu desenvolvimento como ser humano deve ser saudada. É nesse sentido que merece apoio o programa Crescer em Paz, apresentado na quinta-feira pelo Ministério da Justiça. A formatação do projeto foi inspirada na estratégia global do Escritório das Nações Unidas Contra Drogas e Crime (UNODC), vinculado à Organização das Nações Unidas (ONU), e tem como meta eliminar a violência contra crianças e adolescentes. A programação teve início em 2023 e vai até 2030. O governo federal mostra o país como a primeira nação do mundo a implantar oficialmente a estratégia global no enfrentamento de abusos contra esse segmento.

Para o ministro Ricardo Lewandowski, as ações têm tudo para dar certo. Ele destacou o fato de que foi aportado um montante de R$ 82 milhões para dar conta das atividades planejadas. E elas são extremamente necessárias diante de um panorama preocupante em nível nacional e internacional. Um levantamento global sobre homicídios do UNODC revelou que, em 2023, 15% de todas as vítimas de homicídios intencionais no mundo todo envolveram menores de 18 anos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) tem uma estimativa de que cerca de 1 bilhão de crianças anualmente sejam alvo de maus-tratos.

São muitos os pontos que merecem atenção do poder público e da sociedade civil para que nossos infantes e jovens tenham condições reais de ter uma vida digna. As adversidades são variadas, como bem descrevem os relatórios da ONU, e nesse rol podem ser citados a violência armada, a insegurança digital, os desafios no sistema de justiça, os deslocamentos forçados, as desigualdades socioeconômicas, a emergência climática e o bullying. Equacionar essas questões são os desafios que a coletividade tem no presente a fim de que o futuro seja menos conturbado e mais promissor para um contingente a ser salvaguardado no exercício de sua cidadania.