Editorial

Preconceitos são fissuras indesejadas na vida em sociedade

Todos os ofícios que contribuem para a evolução coletiva devem ser valorizados.

Há uma máxima que circula em um certo contingente das redes sociais em que alguns internautas fazem postagens dizendo que já precisaram de pedreiros, de marceneiros, de pintores e assemelhados e nunca de um artista. Trata-se de uma falsa polêmica porque todos são necessários, cada um deles em uma determinada circunstância, além de expor uma estigmatização contra um segmento que muito contribui ao longo do tempo para a criação de uma cultura nacional que é reconhecida em todo o mundo, principalmente em modalidades artísticas como a literatura, a música, o teatro, o cinema, as belas-artes, entre outras.

Esse entendimento distorcido, eivado de preconceito e de superficialidade, preocupa por vários motivos, inclusive por representar uma ideia sem sentido em face da produção cultural. Também causa apreensão porque poderia ser estendida para outros profissionais imprescindíveis, como os esportistas e os cientistas. Os primeiros são atletas que se dedicam a desenvolver todo o seu potencial, seja para a prática desportiva individual, seja para essa prática inserida num coletivo. Contudo, há que se ressaltar que, mesmo que o desempenho seja atribuído a um único competidor, por detrás dele existe todo um estafe que também se envolve no processo, gerando, inclusive, emprego e renda em maior escala. Sem esquecer que o exemplo pode motivar amadores a praticar esportes, ajudando a manter uma vida mais saudável no cotidiano. Por outro lado, é sabida e consabida a importância de termos pesquisadores que possam impulsionar nossa produção científica, essencial para o desenvolvimento do país em diversas áreas, desde a indústria até a saúde pública, passando pelo registro de patentes e de marcas para gerar autonomia de uso de procedimentos técnicos e de materiais, inclusive para gerar menos impacto para o erário e para os setores econômicos.

Dessa forma, é preciso ter muito cuidado ao emitir conceitos que representem uma visão simplificada de fenômenos sociais complexos. Viver em sociedade implica ser respeitoso com quem pensa diferente, estreme de uma subjetividade irrefletida. Para o filósofo grego Protágoras, "o homem é a medida de todas as coisas". Todavia, essa aferição não pode nem deve ser feita de maneira pressurosa nem precipitada. Como diz aquele velho provérbio, nunca mais voltam a flecha lançada, a oportunidade perdida e, pontualmente, as palavras proferidas.