A epidemia de Covid-19 deixou muito claro que os sistemas de saúde do mundo inteiro se deparam com desafios que precisam ser enfrentados pelos governantes e pelos setores que atuam na área da saúde pública e privada, os quais devem constituir parcerias para articular ações e programas voltados a combater doenças coletivas que podem se disseminar rapidamente. Como se sabe, não existem fronteiras para que os vetores de grandes males que ameaçam a humanidade avancem sobre as populações, cabendo então aos governos realizar os investimentos necessários para propiciar meios de amenizar esses agentes que se multiplicam rapidamente, como vimos na recente onda do coronavírus.
De acordo com especialistas, esses acontecimentos trágicos não se dão por acaso. Para tanto contribuem a devastação da natureza, as consequências das tragédias climáticas, o aquecimento global, a insegurança alimentar, as migrações populacionais de contingentes vulneráveis, as habitações em condições sub-humanas, o sucateamento dos serviços de saúde, entre outros pontos. Tais fatores constituem um cenário propício para que chagas diversas se propaguem, causando mortes e deixando sequelas em milhares e milhares de vítimas. Isso também é favorecido por uma onda de desinformação que acaba por afetar a cobertura vacinal, fazendo com que a prevenção fique bastante prejudicada e não tenha a extensão necessária para salvar vidas. Esse cenário chamou a atenção de órgãos e instituições internacionais, que sentiram a necessidade de agir com celeridade e amplitude para ao menos mitigar os prejuízos gerados por uma realidade que combina omissão, descompromisso e leniência com as questões socioeconômicas de um planeta conflitado e com baixo índice de desenvolvimento humano na maior parte do planeta.
Visando chamar a atenção para essas e outras questões que afetam a integridade física e psicológica dos mais fragilizados, a Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu o 27 de dezembro como o Dia Internacional de Preparação Epidemiológica. O objetivo é promover campanhas e iniciativas que possam fazer frente às enfermidades existentes e aos indícios de outros males futuros. É desejável que esta data saia do calendário e entre no orçamento de todos os países comprometidos com seus povos.