O poder público tem uma delegação da sociedade para enfrentar a criminalidade e, para bem cumprir essa tarefa, ele tem de ser ágil, eficiente e ter a coerção necessária para derrotar e desbaratar as organizações criminosas, prendendo seus integrantes. Não é aceitável que tais grupos delituosos possam colocar em xeque o poder das instituições. Não que eles não tentem. Atualmente, no país, dezenas de autoridades precisam de proteção policial apenas por cumprir com suas atribuições de combater o crime e defender a coletividade. Contudo, todo o aparato estatal, bem como a inteligência policial, precisa estar colocada na linha de frente para barrar essas investidas contra a ordem constituída.
Uma dessas situações está movimentando a Polícia Federal para identificar e punir os responsáveis por ameaças a agentes públicos em Tocantins, com ramificações dos investigados em todo o país para cumprir ordens da cúpula da facção envolvida. A Força Integrada de Combate ao Crime Organizado deflagrou nesta quarta-feira, a Operação Comminatio Magistratus II, com a finalidade de deter os envolvidos em atividades que buscam assassinar servidores da União e dos estados, principalmente os que atuam no Poder Judiciário. Em nota, a PF informou que, na primeira fase da operação, em maio, foram cumpridos 58 mandados, sendo 35 de busca e apreensão e 23 de prisão preventiva em cidades de Tocantins, Goiás e Maranhão, o que ilustra o caráter nacional da força-tarefa.
Como se costuma dizer, enquanto as forças repressivas têm uma área de atuação em nível estadual, por vezes, federal, os bandidos não respeitam fronteiras nem limites territoriais e agem onde melhor lhes aprouver. Além disso, invocam o Estado Democrático de Direito quando isso lhes interessa, mas fazem pouco caso das leis e das vidas humanas. É por isso que os órgãos de combate a essa bandidagem precisam estar bem-equipados e prontos para esse enfrentamento em defesa da vida e do patrimônio da população.