Editorial

Queimaduras como desafio no SUS

Em geral, esses acontecimentos danosos e com grande potencial de letalidade se dão por exposição a agentes térmicos e elétricos. Isso significa que o próprio lar costuma ser um lugar perigoso para os infantes.

Há um problema de saúde pública que costuma ocorrer todo o ano no país, mas que se acentua por ocasião das Festas Juninas. Trata-se da questão das queimaduras que acometem a população e também, com ênfase, brasileiros menores de idade. De acordo com dados coletados pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), tais incidentes causam 14 mil internações de crianças e adolescentes no Sistema Único de Saúde (SUS). A média é de 20 hospitalizações por dia, o que deixa evidente que o problema tem alcance nacional e demanda medidas urgentes para ser devidamente enfrentado. Por faixa etária, o levantamento indica que crianças de um a quatro anos de idade são as maiores vítimas, totalizando 6,4 mil internações, em 2022 e 2023. Em seguida, aparecem as faixas de cinco a nove anos, com 2.735 casos; de 15 a 19 anos, com 1.893 casos; de dez a 14 anos, com 1.825 casos; e os menores de um ano, com 1.051 casos. Os levantamentos indicam cerca de 700 mortes de infantes no período entre 2020 e 2021. No quinquênio entre 2015 e 2020, o número de óbitos por queimaduras chegou a quase 20 mil ocorrências.

Em geral, esses acontecimentos danosos e com grande potencial de letalidade se dão por exposição a agentes térmicos e elétricos. Isso significa que o próprio lar costuma ser um lugar perigoso para os infantes. É preciso muito zelo para não deixar a fiação elétrica exposta ou sem o devido isolamento, bem como ter cuidado com aparelhos eletrodomésticos, principalmente o fogão a gás quando acionado ou mesmo com algum escapamento do botijão. Igualmente é necessário ter os devidos cuidados no manuseio de fogos de artifícios, uma vez que a explosão pode ocorrer na mão do usuário, podendo resultar na perda de dedos e até na amputação de parte desse membro superior.

Os números mostram uma realidade que deve ser enfrentada pelo poder público, mas que não pode ser devidamente combatida sem a adesão da coletividade. O perigo ronda as comunidades e não perdoa omissão, negligência, imprudência ou imperícia. Todo cuidado é pouco.