O Brasil tem hoje um total de mais de 73 milhões de pessoas endividadas. Isso representa cerca de 21 vezes a população do vizinho Uruguai. No país, por suas dimensões continentais, as coisas costumam ocorrer em larga escala. Esse montante de excluídos das relações de consumo representa uma perda para a economia, pois eles deixam de consumir e de demandar o incremento do ciclo produtivo, prejudicando a indústria e o varejo, que ficam sem realizar negócios por conta da inação desse segmento sem um efetivo poder de compra. Isso é ruim para todos, pois são menos bens e serviços colocados à disposição para serem consumidos.
Essa exclusão de cidadãos e de cidadãs, que sofrem restrição para obter os itens necessários para sua sobrevivência e bem-estar, é algo que deve receber a atenção do poder público e da iniciativa privada, uma vez que a reabilitação do “nome sujo” é algo que interessa a todos. Para tanto, é fundamental que haja campanhas de esclarecimento sobre a necessidade de uma boa educação financeira, bem como programas e projetos de assistência para inadimplentes, inclusive com uma boa assessoria para que eles possam agir na recuperação da própria capacidade de controlar seus gastos de forma racional e equilibrada. Nesse sentido, há diversas opções de apoio, algumas governamentais, como iniciativas locais das prefeituras, palestras e atividades do Sesc e do Senac, suporte fornecido por cooperativas de crédito, programas desenvolvidos pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban), entre outros. É do interesse da coletividade que os endividados possam retomar sua possibilidade aquisitiva. É bom lembrar que quanto antes forem absorvidos esses conteúdos, tanto melhor para quem os domina. É por isso que tais noções devem fazer parte do currículo escolar desde a mais tenra idade.
Ter um bom conceito na praça, como se dizia antigamente, é um fator de autonomia para o indivíduo. Por certo, todos querem poder comprar e vender sem percalços e isso é algo que precisa ser alvo das medidas certas para se atingir tal objetivo.