Em um contexto de acirramento das tensões comerciais e políticas entre os Estados Unidos e o Brasil, é necessário que o chamamento à serenidade que vem sendo feito por entidades de todos os matizes, especialmente as empresariais, seja considerado em todas as etapas que estão por vir. Do chamado ao acirramento dos ânimos, ao contrário, nada de bom virá. O país precisa de paz, inclusive política, para que as eventuais negociações possíveis possam evoluir positivamente em benefício, ou pelo menos com redução dos esperados prejuízos, para os amplos setores afetados.
Mesmo que a aparente escalada gere desesperança, há muitas pessoas e instituições, ao Sul e ao Norte, que se esforçam para evitar que a sociedade brasileira e suas empresas, negócios, empregos e instituições erodam em face da degradação do diálogo de avanço difícil. A voz daqueles de boa vontade precisa ser ouvida em meio aos gritos dos que querem a dissensão. O Brasil só tem a ganhar, ou pelo menos pode perder menos, se forem preservadas as pontes que permitam que os encontros e as conversas prossigam.
Na quarta-feira, a Federação das Indústrias do RS emitiu nota oficial em que manifesta preocupação com os impactos do aumento tarifário ontem mesmo confirmado, em parte, pelo governo norte-americano. Na nota, a entidade reafirma sua convicção de que a negociação é o único caminho possível para a superação do impasse. É relevante notar que a entidade já aponta o foco que as autoridades e outros atores precisam adotar, ou seja, a defesa dos empregos e manutenção e abertura do Brasil ao mercado global.
Assim, é preciso acautelar-se perante a eventual adoção de medidas retaliatórias, atrativa para setores que pregam a derrubada das pontes ou até mesmo para bem-intencionados desacorçoados com as arbitrariedades que ganham mais e mais espaços. O foco precisa ser o interesse do povo brasileiro, que dificilmente seria beneficiado por uma escalada ascendente de brigas econômicas ou políticas.