Uma das variáveis para se medir o grau de civilidade de uma sociedade está na sua manifestação intrínseca de solidariedade. Nesse quesito, os brasileiros costumam ir muito bem, como no caso do trabalho voluntário e da assistência aos mais necessitados. O número de transplantes no país, procedimentos que devem ter a palavra final da família, é um item que pode e deve melhorar mais para que vidas possam ser salvas e destinos possam ser traçados extrapolando certos limites que, por força maior, são impostos a cada um de nós, como o da duração da existência.
De acordo com estimativas oficiais, atualmente temos mais de 66 mil pessoas na fila para serem transplantadas. O órgão mais demandado é o rim, com cerca de 42 mil pessoas aguardando sua vez. A córnea, o fígado e o coração igualmente possuem filas significativas. Em 2023, foram registrados 4.514 transplantes de rim, 1.777 de fígado e 323 de coração. No tocante às córneas, o montante foi significativo, com 11.932 cirurgias realizadas entre janeiro e setembro daquele ano, superando as 10.544 do mesmo período em 2022. Vale ressaltar que o Brasil dispõe de um sistema nacional de transplantes bem estruturado, com uma lista de espera única, organizada por estado ou região, e monitorada pelo Sistema Nacional de Transplantes (SNT). Os critérios de seleção para o transplante incluem tipagem sanguínea, compatibilidade de peso e altura, compatibilidade genética e a gravidade da condição dos pacientes, que, se estiverem em estado crítico, poderão ser tratados com prioridade.
Apesar de esses indicadores serem relevantes, existe uma grande perda de oportunidades de realizar o transplante porque o potencial doador não se cadastrou como tal em vida ou sua família não houve por bem autorizar a doação. São óbices que precisam ser enfrentados com campanhas de conscientização e com possíveis mudanças legislativas para tornar mais célere esse processo. Como diz um provérbio popular, “quem salva uma pessoa, salva o mundo inteiro”.