O ano de 1970 é emblemático na história do país por ser o marco na inversão do montante de habitantes nas áreas urbanas e rurais. Foi nesse ano que as cidades passaram a ter uma população maior do que a que vivia no campo. Foi a partir de uma urbanização crescente surgida a partir da década de 50 que essa proporção foi gradativamente sendo alterada. Atualmente, cerca de 85% e em torno de 15% dos brasileiros vivem em territórios urbanos e rurais, respectivamente.
Com a superpopulação nas cidades, surgiram problemas próprios das urbes que desafiaram as autoridades, a exemplo da segurança pública, da criação de escolas, da geração de postos de trabalho, entre outros. Muito disso se deveu às mudanças da estrutura produtiva nas regiões de origem desses migrantes, com a demanda de trabalho ficando menos intensiva, inclusive por conta da introdução de novas tecnologias nessa matriz produtiva. Tal realidade de êxodo rural começou a chamar a atenção dos especialistas, que apontaram a necessidade de implementar políticas públicas capazes de equacionar essa questão. No centro dos debates, foi colocada a necessidade de fixar os jovens no campo com o suporte necessário, inclusive de desenvolvimento de suas carreiras, e os investimentos para que tivessem um cotidiano com uma rede de apoio voltada para o desenvolvimento da agricultura familiar.
Nesse novo rumo que se começou a empreender para valorizar a atividade produtiva nesse setor, vem em boa hora a notícia de que a Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que visa criar mecanismos para que os jovens entre 15 e 29 anos permaneçam no campo. Isso envolve maior oferta de crédito, convênios com o Sistema S, criação de cooperativas, acesso ao ensino de forma presencial ou remota e fomento de projetos e de programas específicos para o setor. Sem dúvida, é a hora de o parlamento fortalecer as bases para que a juventude possa desenvolver seu potencial em sua região de origem, com ganhos para todos de forma direta ou indireta.