O Sistema Único de Saúde (SUS) é reconhecidamente um dos melhores do mundo, já tendo possibilitado, em suas mais de três décadas, atendimento para milhões de brasileiros, que encontram nele uma salvaguarda contra uma grande gama de enfermidades. Em geral, a crítica fica por conta do tempo para acessar o sistema e sobre a dificuldade de se conseguir realizar o tratamento no tempo necessário, notadamente por conta da falta de especialistas. É isso que, agora, está no foco do governo.
Segundo um anúncio realizado pelo Ministério da Saúde, equacionar a questão do acesso aos especialistas é algo que está no alvo do órgão por meio do Programa Mais Acesso a Especialistas, que deverá contar com orçamento de R$ 1 bilhão e que já obteve a adesão de 1.237 municípios do país, abrangendo dez estados. São eles, Ceará, Amazonas, Santa Catarina, Roraima, Paraná, Pernambuco, Piauí, Paraíba, Goiás e Bahia. Inicialmente, serão priorizadas cinco especialidades, otorrinolaringologia, ortopedia, cardiologia, oftalmologia e oncologia. Haverá também um cronograma unificado para os pacientes, com uma fila única que vai desde as primeiras consultas, de diagnóstico geral, até a entrevista com os especialistas, permitindo que, num intervalo entre 30 e 60 dias, toda a assistência seja prestada, o que é mais do que indicado, principalmente no caso de alguns cânceres que evoluem em tempo recorde.
Para a ministra da Saúde, Nísia Trindade, trata-se de uma inovação que otimiza os recursos do setor, garantindo aos usuários uma sistemática mais de acordo com seu quadro clínico num lapso temporal mais adequado para o seu perfil de doença. Não restam dúvidas de que o SUS pode sim ser aperfeiçoado dentro de sua concepção geral de universalização de um serviço tão vital para a população. Enquanto houver um brasileiro necessitado de cuidados médicos não acolhido satisfatoriamente num sistema que funciona razoavelmente bem, haverá a demanda cotidiana por melhorias no seu funcionamento.