A oferta de crédito pode ter um forte impacto com o aumento da taxa Selic, arrefecendo as iniciativas e os investimentos que visam retomar o crescimento econômico. Nesta quarta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) elevou a Selic em 0,50 ponto percentual, passando para 14,75% ao ano, o maior patamar da taxa básica de juros na economia brasileira em quase 20 anos. Na série histórica, a última vez em que a Selic registrou um nível semelhante foi em julho de 2006. A decisão foi unânime e representa a sexta medida consecutiva de restrição monetária, além de ser a primeira sob a presidência de Gabriel Galípolo no BC.
No dia a dia, essa decisão representa um freio aos aportes produtivos no mercado, uma vez que, com o dinheiro se tornando mais caro, isso acaba prejudicando as relações de consumo. Com orçamentos mais apertados, a previsão é de recuo nas vendas, impactando a indústria e os demais segmentos. Além disso, o preço dos produtos tende a aumentar, exigindo da população uma pesquisa mais cuidadosa para encontrar as melhores ofertas, o que estimula a concorrência entre estabelecimentos comerciais e financeiros, incentivando-os a oferecer bens e serviços com o melhor custo-benefício para seus clientes. Por outro lado, os consumidores devem estar conscientes do seu papel regulador ao demandar produtos por valores compatíveis com sua renda, preservando seu poder de compra. É nesse contexto que a educação financeira pode fazer toda a diferença, subsidiando os consumidores na análise da melhor maneira de investir seus recursos. Esses conhecimentos são essenciais para evitar o endividamento das famílias, algo que não interessa a ninguém, especialmente ao varejo estabelecido.
Para disseminar os conteúdos e os benefícios da educação financeira, algumas políticas públicas são fundamentais. Há programas do Ministério da Educação e de outras instituições nesse sentido e que devem ser implementados de forma ampla. Conscientizar os brasileiros sobre esse tema é uma tarefa inadiável, especialmente em tempos de juros altos.