Passam os anos, passam os governos, passam os mandatos dos legisladores e, infelizmente, o Brasil continua na rota do tráfico da sua rica flora e também do comércio ilegal da sua fauna silvestre. De acordo com algumas estimativas, essa atividade criminosa movimenta por ano em torno de 2 bilhões de dólares. A projeção é da Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas), uma Organização Social Civil de Interesse Público (Oscip). No mundo, esse montante é avaliado em cerca de 40 bilhões de dólares por ano, de acordo com a organização não governamental WWF num documento entregue à Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque.
O que a população, muitas vezes, não entende dentro do território nacional é a dificuldade de, para além de prender os infratores, identificar os receptadores dos animais, uma vez que são eles que alimentam a cadeia de consumo e que geram a demanda que vai levar à ação os criminosos que estão na linha de frente das florestas e dos locais de preservação. Não raro, as forças policiais conseguem realizar flagrantes e prender os meliantes, mas, não demora muito, eles voltam a praticar as mesmas condutas delituosas. A legislação tem ficado mais dura, mas isso não tem sido o suficiente para prevenir essas práticas.
Mas apesar das dificuldades, as autoridades não esmorecem nunca. A Polícia Federal deflagrou a Operação Cygnus contra brasileiros, uruguaios e argentinos, cumprindo mandados de prisão e de busca e apreensão, expedidos pela 1ª Vara Federal de Florianópolis, que também tomou outras medidas cautelares e de arresto. Os envolvidos podem ser responsabilizados por delitos contra o meio ambiente, receptação qualificada e envolvimento em organização criminosa voltada ao tráfico de animais. Cabe ressaltar que as comunidades podem ajudar muito fazendo denúncias contra os traficantes por meio dos canais disponibilizados para tanto. Muitas espécies podem ser salvas se houver essa colaboração decisiva.